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Consultório da Ria

O flúor

Por Carlos Lima

O flúor é um oligoelemento, considerado um elemento mineral essencial para a saúde óssea e do dente [1]. Os ossos [2] e os dentes acumulam pequenas quantidades de flúor, que lhes confere maior resistência e, no caso dos dentes, ainda contribui para a prevenção da cárie dentária. A presença no sangue [3] é pequena, enquanto que nos ossos atinge as cinco mil partes por milhão (ppm). É absorvido no estômago [4] e no intestino [5] e eliminado pela urina.

Apesar dos benefícios da utilização do flúor na prevenção da cárie dentária, a sua utilização geral deve ser cuidadosa, pois trata-se duma substancia muito reactiva e tóxica. Dada a sua instabilidade, o flúor aparece sempre associado a outros minerais [6], tais como o cálcio [7] (daí presença no osso e no dente), o sódio [8] e o alumínio.

Está presente nos alimentos, nomeadamente na água floretada, no peixe e no chá. É também usado em pastas de dentes que contêm fluor, na ordem das mil a 1500 ppm. Uma recomendação essencial é a de não engolir a pasta de dentes de forma continuada, pois causa problemas no estômago e pode conduzir a intoxicação por flúor.

A toxicidade do fluor é tão grande que a Organização Mundal da Saúde (OMS) [9] recomenda a referência à presença de flúor nos alimentos e nos aerossóis, para que a pessoa apenas seja exposta aos níveis adequados. Existe ainda a presença de flúor nalguns medicamentos, nomeadamente nos da área da psiquiatria, que usam o efeito calmante da dose controlada de flúor, pois o flúor é um composto halogenado e este tipo de compostos tem efeitos sobre o sistema nervoso.

O flúor de origem natural (chás, peixes e determinados vegetais) é pouco absorvido, na ordem dos 25 %, enquanto o artificial é absorvido muito facilmente.

A OMS considerou a cárie dentária é uma doença pandémica. A ingestão de pequenas quantidades de flúor, ou a presença de flúor nas pastas de dentes, visa reverter este quadro. A presença de flúor na boca faz com que a acção dos alimentos sobre o dente, nomeadamente os açucarados, seja anulada, através dum processo de desmineralização e remineralização: com os alimentos e os ácidos produzidos por eles, os dentes perdem certos minerais e ficam mais frágeis, mas a presença de flúor faz com que os minerais perdidos voltem ao dente, devolvendo-lhe a resistência. A ingestão de 1,5 a 2,5 miligramas por dia produz uma redução da cárie de até 70%. Em Portugal, não se faz a adição de flúor à água, com excepção de certas regiões dos Açores e da Madeira. No Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral [10], está preconizado o bochecho de flúor para alunos do primeiro ciclo do ensino básico, como forma de prevenção e combate da cárie dentária.

O flúor interfere facilmente com a absorção de iodo, pelo que podem existir alguns problemas de tiróide, quando existe um consumo excessivo.

Os sintomas da intoxicação aguda pelo flúor incluem náuseas, vómitos, hipersalivação, dor abdominal e diarreia e, nos casos mais graves, podem verificar-se convulsões, desequilíbrios electrolíticos e minerais. Em situações extremas, a intoxicação aguda pelo flúor pode levar à morte.

O flúor é um mineral importante para a mineralização dos ossos e dos dentes, dando-lhes mais resistência. É abundante na natureza e nos alimentos, pelo que o consumo alimentar adequado ajuda a manter os níveis de flúor no corpo, que contribuem para manter o sistema ósseo saudável e prevenir a carie dentária durante os períodos alimentares e nos períodos em que a salivação é praticamente nula, ou seja, durante os períodos de repouso.

Ainda que o corpo tenha algumas reservas, é necessário um fornecimento diário, para que se sintam os seus benefícios. Por outro lado, a sua elevada toxicidade, quando em excesso, faz com que a suplementação seja cuidada e devidamente acompanhada.

Saúde!

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