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A Escola Austríaca — Parte 1

Por Hugo Pinto de Abreu

O relativo sucesso da Escola Austríaca [1] da Economia — também chamada de Escola Psicológica — é um dos fenómenos que mais me fascina, na história recente do pensamento económico, e mesmo como fenómeno sociológico.

A Escola Austríaca, assim chamada porque os seus fundadores — destaque-se particularmente Carl Menger [2] — e muitos dos seus grandes vultos — refiram-se Ludwig von Mises [3], Friedrich von Hayek [3] — eram austríacos, é uma escola altamente heterodoxa da Economia, isto é, é profundamente divergente, quer nas conclusões, quer nos seus métodos, das escolas mainstream, ortodoxas, convencionais da ciência económica. Todavia, refira-se em abono da verdade que os economistas da Escola Austríaca deram contribuições de grande relevo para a Economia e que foram aceites pelas correntes, digamos, convencionais desta ciência: por exemplo, a teoria marginalista do valor [4] (Carl Menger); o custo de oportunidade [5] (Friedrich von Wieser [6]); a teoria do capital e do juro como originários de uma procura e oferta marcadas pela preferência temporal (Eugen von Böhm-Bawerk [7]).

Como o ouvinte já entendeu, são matérias complexas. Ora, é absolutamente fascinante como, devido também à Internet, esta escola — que é olhada de lado por grande parte dos economistas mainstream — faça tanto sucesso e consiga angariar tantos e tantos adeptos, mesmo até — e ousaria dizer: principalmente — entre não-economistas. Ou seja, a Escola Austríaca tem o extraordinário mérito de ser atractiva e de colocar pessoas que tiveram pouca ou nenhuma formação prévia em matérias económicas a discutir Economia e, mais ainda, a discutir matérias extremamente complexas neste campo, tão complexas que procuram oferecer uma crítica sistemática das escolas económicas convencionais.

É, creio, um fenómeno com luzes e sombras: as luzes são o que acabámos de referir — é um motivo de esperança, quando um tão grande número de pessoas se interessa por questões económicas e filosóficas tão complexas; por outro lado, este interesse, mais ainda quando originário por pessoas sem formação convencional na ciência económica, atinge por vezes o sectarismo e até mesmo a insolência. Entre luzes e sombras, voltamos ao início desta crónica: uma coisa é certa, a propósito da popularidade da Escola Austríaca: é absolutamente fascinante.

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