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Consultório da Ria

O cobalto

Por Carlos Lima

O cobalto é considerado um mineral [1] essencial e é uma parte importante da vitamina B12, ou cianocobalamina. A concentração normal de cobalto no sangue vária desde oitenta a trezentos nanogramas por mililitro. Tem como principal função a produção de glóbulos vermelhos [2] e a mielina. A mielina é a estrutura proteica que protege os nervos e permite a transmissão rápida do impulso nervoso; a sua ausência ou destruição está na origem da esclerose múltipla. O cobalto contribui para a regulação do sistema nervoso.

A dose diária de cobalto recomendável é 2,4 microgramas para adultos, 1,2 µg para crianças de até oito anos e 2,8 µg para mulheres grávidas [3] e mães que amamentam [4].

O corpo humano não tem a capacidade de sintetizar o cobalto, dependendo do fornecimento externo, através dos alimentos, como a carne — em particular fígado e rins —, as ostras, a amêijoa e o leite. As algas também são ricas em cobalto, mas é de mais difícil absorção, para não dizer impossível. Os produtos hortícolas de produção industrial possuem habitualmente excesso de cobalto, dado que este é usado como fertilizante, mas, tal como o das algas, não é aproveitado pelo organismo humano, pelo que as pessoas com regimes vegetarianos puros podem ter um nível baixo de cobalto no sangue e necessitar de suplemento. A absorção de cobalto é muito limitada na falta de vitamina B6 e perante uma diminuição do ácido clorídrico [5] produzido no estômago [6].

É eliminado pelo rim [7], através da urina, em pequenas quantidades, pelo que o consumo em excesso pode criar um excesso de cobalto no organismo.

A falta de cobalto gera a falta de vitamina B12 e esta condiciona a absorção de ferro [8] a nível intestinal e o seu aproveitamento ao nível da medula óssea para a produção dos glóbulos vermelhos, conduzindo ao desenvolvimento de anemia. Causa também problemas neurológicos e de crescimento, podendo também desencadear ansiedade, fadiga física e mental, palpitação e tremores nos membros.

Por outro lado, o excesso de cobalto acarreta problemas na tiróide [9] e leva a acumulação no fígado [10], no pâncreas [11] e no rim [7]. A exposição a altos níveis de cobalto, sob a forma de poeiras ou gás, é altamente tóxica, podendo causar problemas respiratórios crónicos, chegando à fibrose pulmonar. Este é um elemento cancerígeno.

Pelas suas características de elevada resistência à corrosão, resistência ao desgaste e boa compatibilidade com tecidos humanos, é utilizado no fabrico de implantes ortopédicos, como próteses do joelho e da anca, de implantes dentários e de próteses cardíacas.

O cobalto60 foi usado na radioterapia, para combate ao cancro.

O cobalto é fundamental para o bom funcionamento do sistema sanguíneo, essencialmente para os glóbulos vermelhos, ajuda na regulação do sistema nervoso e na produção de mielina. É fornecido pelos alimentos de origem animal. A sua falta gera anemia, o seu excesso pode ser toxico e cancerígeno.

Saúde!

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