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Consultório da Ria

O molibdénio

Por Carlos Lima

O molibdénio é um micromineral [1] necessário ao organismo humano, pois faz parte das enzimas que colaboram na utilização celular dos hidratos de carbono [2], das gorduras e das proteínas [3] e na fixação do nitrogénio molecular. É necessário para a oxidação do enxofre [4] presente nas proteínas. Integra o esmalte dos dentes [5].

O molibdénio é necessário à activação de enzimas como:

  • A oxitransférase — ajuda na passagem das cargas elétricas para dentro e para fora da célula [6], através da membrana celular, e nos processos internos da célula;
  • A oxídase da xantina — colabora na utilização das proteínas e produz ácido úrico. O ácido úrico, dentro de valores considerados normais, tem um efeito protector, pois é considerado anti-oxidante;
  • Oxídase do aldeído — ajuda a transformar as proteínas no fígado [7];
  • Oxídase do nitrato — é importante para a fixação do azoto molecular.

O álcool presente nas bebidas alcoólicas sofre transformação pelas enzimas que contêm molibdénio, levando à produção de ácido úrico; daí as pessoas consumidoras crónicas de bebidas alcoólicas apresentarem níveis sanguíneos elevados de ácido úrico.

O molibdénio é absorvido no estômago [8] e no intestino delgado [9] e é eliminado do sangue [10] para a urina e para a bílis.

As principais fontes de molibdénio são as leguminosas, os grãos de cereal, os vegetais de folha verde escura e a água dura ou água do mar. Os alimentos de origem animal não têm grande significado, com exceção das vísceras. Uma simples chávena de feijão cozido fornece 177 % da dose diária recomendada.

A dose diária de molibdénio é muito pequena e varia ao longo da vida, sendo na vida adulta e na grávida que as necessidades são maiores, podendo chegar aos 50 μg/dia.

A deficiência de molibdénio é rara na pessoa com uma alimentação variada e equilibrada, excepto quando o solo é muito pobre em molibdénio. As pessoas portadoras de doença de Crohn, doença que produz alterações intestinais e crises em que é preciso fornecer a alimentação através de soros, durante muito tempo, podem necessitar de suplementação. A falta de molibdénio produz aumento do ritmo cardíaco, sensação de falta de ar, náuseas e vómitos; nos casos mais graves, pode causar desorientação e coma.

As pessoas com excesso de molibdénio desenvolvem um quadro parecido com as crises dos doentes com gota, incluindo o aumento de acido úrico no sangue e dores articulares. A toma dum anti-inflamatório pode ser necessária. Pode também limitar a absorção de cobre, o que, ao fim dalgum tempo, conduz a anemia.

Saúde!

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