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Consultório da Ria

O iodo

Por Carlos Lima

O iodo é um micronutriente essencial para o bom funcionamento da tiróide [1]. As hormonas da tiróide servem para manter o equilíbrio dos processos metabólicos do crescimento e o desenvolvimento do cérebro [2] e do sistema nervoso, principalmente até aos três anos de vida; regulam também os processos de produção de energia corporal [3] e o consumo da gordura corporal.

O iodo é aproveitado pelo organismo humano sob a forma de iodeto de potássio, que é um dos componentes do sal de cozinha.

A produção das hormonas tiroideias depende da concentração de iodo que chega à tiróide. Dentro da tiróide, o iodo sofre várias transformações, para formar as hormonas T4 (tiroxina) e T3 (tironina), porque o iodo absorvido durante o processo digestivo, ou através da medicação, chega sob a forma de iodeto inorgânico.

A concentração de iodo no sangue (sob a forma de iodeto) é de 0,5 µg/dl e a ingestão diária deve rondar os 0,5 mg/dia, não devendo ultrapassar 1 mg/dia; a ingestão superior a 2 mg/dia é tóxica.

O iodo é eliminado pela tiróide [1], pelos rins [4], pela saliva [5] e pelas glândulas digestivas; no entanto, a libertação pela saliva e pelas glândulas digestivas só tem importância perante situações de vómitos e diarreia, ou outras alterações digestivas, dado que, em condições normais,  é praticamente todo reabsorvido.

As transformações que o iodo sofre dentro da tiróide [1] podem ser alteradas por agentes causadores do bócio; contudo, o bócio e o hipotiroidismo podem ser evitados pelo aumento do fornecimento de iodo, ainda que existam situações de doença em que este aumento do consumo de iodo não seja suficiente. Mas há que ter em atenção que o consumo excessivo causa o mesmo efeito que a falta de iodo, ou seja: ele existe mas não é aproveitado.

A deficiência de iodo, mesmo moderada, pode originar défice cognitivo ou comportamental e, na sua forma extrema, cretinismo. A Organização Mundial de Saúde [6] considera a carência de iodo como a principal causa mundial evitável de atraso mental.

A tiróide fetal tem capacidade de concentrar e tirar proveito do iodo pelas dez semanas, e a presença de iodo nas fases de pré-gravidez, de gravidez [7] e de amamentação [8] é muito importante para o bom desenvolvimento do feto e do bebé [9]. Dado que a mãe é a única fonte de iodo, deve ingerir quantidades para o seu próprio fornecimento e para o fornecimento ao bebé.

Os alimentos mais ricos em iodo são os de origem marinha, como algas, mariscos e peixe fresco ou congelado fresco, o sal iodado, o leite e os ovos e alguns vegetais.

O iodo também é utilizado na medicina, como componente dalguns medicamentos e desinfectantes (álcool iodado e iodopovidona — conhecida vulgarmente como Betadine®). Os isótopos radioactivos são utilizados para o diagnóstico do cancro da tiróide [1], como é o caso do I131 (iodo radioactivo) — curiosamente, um dos isótopos radioactivos libertados no acidente nuclear da central de Fukushima, Japão.

Segundo uma recomendação da Direção-Geral da Saúde [10], de 2013, a melhor forma de assegurar um fornecimento adequado de iodo é «uma alimentação variada, incluindo alimentos que, habitualmente, são fontes de iodo, em particular: pescado, leguminosas e hortícolas e ainda leite e outros produtos lácteos. Recomenda-se, também, a substituição do sal comum por sal iodado» [11].

Saúde!

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