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Olho Clínico

2014

Por Sara Teotónio Dinis

Um ano a mais no calendário mundial — o tal que será infinito —; um ano a menos no meu — que tem prazo — indeterminado, deal with it [1]. O balanço exige ser neutro — muito se ganhou, mas também muito se perdeu. Conquistas, mas sobretudo pessoas.

Foram cinco colegas nossos, estudantes de Medicina em Braga, debaixo dum muro. Foi a nossa colega, com uma dor de estômago. Foi o dr. Frias, entre tempos cirúrgicos. Foi o pai da colega, a andar de bicicleta. Foi o pai de outra colega, enquanto esperava numa fila de supermercado. Foi o colega de Coimbra, que pôs termo à vida. Foi a minha tia. Todas mortes inesperadas, todas sem aviso prévio.

Nem só a mortes se fez o luto — também o amor perdeu dois filhos, sem perceber muito bem porquê. Também a expectativa do meu soldado saiu gorada, por causa dum pé teimoso. Também o meu tempo morreu órfão — de tão escasso.

Estúpida, esta vida [2]. Mas…

O meu tempo foi escasso, mas foi bem aproveitado. O pé chatinho não vai ficar só. O mesmo amor foi celebrado em três casórios. Nasceram duas meninas na família e foi gerado um menino, que chegará em Janeiro.

Eu redesenhei-me nómada; adoptei uma piruças; levei com um velhote que não parou num STOP [3]; concluí que era melhor mudar de casa [4], depois de dar com a minha máquina de lavar roupa a funcionar sozinha (após dois dias de ausência); entrei num bailado; viciei-me no Instagram (mas não deixei de comprar um rolo de fotografia à antiga e enchê-lo de coisas boas); protestei [5]; integrei o movimento catártico e um bocado hipster das músicas que cantam bem melhor tudo o que me vai na alma neste momento (por força das horas em vaivém geográfico, na «vida de estrada» [6]); concluí o primeiro ano de internato; festejei o primeiro ano de «Rua…» [7]; readquiri o hábito saudável de mexer o corpo [8]; alarguei a família; e recalculei o dispêndio emocional.

Desde que devidamente acompanhada pelos meus, pelo champanhe e por boa música — venha 2015, que o resto já lá vai!

Um comentário a “2014”

Tu não sabe o quanto as postagens “por que homens bonitos são maus maridos 1 e 2″ acabaram de um dilema que estava vivendo, pois só conseguia relações casuais e passava mal por isso. Então quer dizer que devo ser ‘empregado’ para ter uma esposa?

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