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Dança do ano novo e o álcool

Por Carlos Lima

O ano novo é habitualmente motivo de esperança, festa e alegria. A dança no baile típico, as actividades ao ar livre, os concertos concluídos ou abrilhantados por fogo de artificio — todos eles são profundamente motivadores para um brinde, pois a alegria e a cor preenchem o nosso imaginário e empurram-nos para fazer o que é diferente. Ainda bem.

Ora, a dança é uma actividade física, direccionada para a expressão e a comunicação, que tem as suas nuances, evidenciadas na individualidade, quer das culturas que as desenvolvem, quer do indivíduo, na expressão criativa dos seus sentimentos [1].

A dança como actividade física, praticada com regularidade, contribui para a melhoria duma série de qualidades, tais como: a coordenação, o ritmo, a flexibilidade, o equilíbrio, a força, a agilidade, o relaxamento e o controlo emotivo, entre outras, e é entendida como «uma actividade complexa, que relaciona factores biológicos, psicológicos, sociológicos, históricos, estéticos, morais, políticos e geográficos, conjugando-se para a expressividade e a técnica corporal» [2].

Os bailes de fim de ano — eu diria de início de ano —, não tendo um valor artístico elevado, carregam consigo a mais antiga forma de comunicação, a expressão corporal que junta actividade física, partilha e emotividade. Quem dança expressa-se para si e para os outros; encontra-se e encontra o outro e, no outro, o mesmo processo de transmissão de sentimentos e emoções.

Por tudo que já foi dito, dançar faz bem à saúde, é divertido e contribui para a comunicação entre as pessoas. O que me parece importante destacar aqui é a conjugação entre a dança e o álcool, que acontece nesta altura do ano.

A primeira consideração é que a absorção do álcool no estômago [3] e no duodeno é, em qualquer circunstância, muito rápida. Consumir álcool com o organismo em repouso traduz-se numa dinâmica de absorção do mesmo mais lenta, com uma distribuição corporal mais lenta e efeitos que demoram mais a manifestarem-se. Consumir álcool desenvolvendo uma actividade física tem uma absorção mais rápida. Consumir álcool durante ou imediatamente após a actividade física potencia a absorção e uma distribuição corporal extremamente rápida, com efeitos imediatos.

O álcool é absorvido no estômago e no intestino [4], mas a degradação é feita no fígado [5]. Quando há actividade física, as funções do fígado estão mais aceleradas, pelo que a degradação do álcool é mais acelerada. Como são os produtos da degradação do álcool que têm a capacidade de afectar o cérebro [6], o aumento da concentração das mesmas vai aumentar o efeito. Assim, pequenas quantidades de álcool podem elevar a concentração do álcool no sangue [7] e produzir mais rapidamente o seu efeito.

A passagem do ano tem como característica prolongar o esforço corporal noite dentro. Para quem o faz e pode descansar de seguida — não há qualquer problema. Quem ainda tem de se deslocar a pé ou mesmo a conduzir deve ter em conta que estes factores são determinantes, quer no momento da ingestão de álcool, quer no momento da condução.

Tenha um ano de 2015 muito feliz!

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