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Olho Clínico

Voltando ao corredor

Por Sara Teotónio Dinis

Recentemente, o meu local de trabalho mudou a sua localização para um edifício novo. Novo edifício, nova planta e, consequentemente, resolução do problema do corredor [1]!

Pode pensar-se que seria um problema menor… Provavelmente era. Muitos outros há a resolver — e de maior magnitude. Mas a presença dos utentes no corredor contíguo às portas dos gabinetes médicos era um factor gerador de ruído e de atrasos — o ruído que incomodava durante as consultas, pelo fraco isolamento sonoro nas anteriores instalações (com mais de cinquenta anos), e porque os utentes não se inibiam de ter conversas em voz alta, mesmo junto às portas dos gabinetes; e os atrasos dos médicos, que eram interrompidos na sua ida à casa-de-banho, ou ao secretariado clínico, ou à copa, por utentes que os interpelavam, muitas vezes sem terem consulta marcada nesse dia, e outras tentando furar a ordem de atendimento (com assuntos dos próprios ou com recados de terceiros).

Resolveu-se a situação, com a criação duma sala de espera sem comunicação com o corredor para o qual abrem os gabinetes médicos e os gabinetes de enfermagem. A porta que dá acesso a este corredor desemboca no vestíbulo, no qual também desemboca a sala de espera, mas uns sete metros mais à frente, de lado. Os médicos ou enfermeiros vão chamar os utentes pessoalmente e acompanham-nos pela porta de acesso ao gabinete respectivo — os utentes só entram no corredor quando os vão chamar.

Situações em que se conjugue necessidade urgente (e evidente) e ausência de tempo de atendimento (porque todo o que havia já se esgotou) são comunicadas pelo administrativo, através de chamada telefónica para a respectiva equipa de família.

Este entrave está ultrapassado, para alívio dos profissionais que ali trabalham. Falta agora trabalhar no sentido da resolução de problemas maiores, que teimam em permanecer.

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