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Perspectivas em Saúde

Onde fazer o teste da COVID-19?

Por Gustavo Martins-Coelho



Olá!

Pergunta-nos um telespectador se o posto de colheita de amostras para testagem de COVID-19 em Chaves funciona. A resposta curta é: sim. Funciona esse e funcionam também postos de colheita em Valpaços e Vila Pouca de Aguiar. A informação sobre os horários de atendimento e como fazer a marcação estão disponíveis na página do laboratório na internet [1, 2].

Pergunta-nos ainda o mesmo telespectador quais são os moldes de funcionamento dum espaço daqueles, considerando que o hospital também tem uma tenda preparada para dar resposta permanente. Esta é uma pergunta muito pertinente e, por isso, vou hoje alongar-me um pouco mais sobre ela.

A COVID-19 é uma doença heterogénea. A larga maioria das pessoas desenvolve sintomas ligeiros, que passam sem qualquer tratamento especial, para além de repouso. Mas uma em cada cinco pessoas vai desenvolver sintomas mais graves, que vão precisar de internamento hospitalar. Dos doentes hospitalizados, um em cada cinco vai necessitar de cuidados intensivos; e, destes, quase metade não sobreviverá [3].

Portanto, os serviços de saúde têm de estar preparados para dar resposta a esta variedade de manifestações clínicas e de prognósticos. Ou seja, é necessário que haja diferentes níveis de cuidados, para diferentes níveis de gravidade da doença. É isso que justifica a existência de atendimento a doentes COVID-19 nos centros de saúde e nos hospitais e que se possa fazer o teste nos laboratórios privados e nos hospitais.

Uma pessoa que tenha sintomas sugestivos de COVID-19 — que, de acordo com o Centro Europeu de Controlo de Doenças [4], podem incluir febre, falta de ar, tosse, fadiga e mal-estar, dores de cabeça, perda do olfacto, nariz entupido, dores musculares e articulares, alteração do paladar, garganta inflamada, dores abdominais, vómitos e diarreia [5] —, dizia eu, uma pessoa que tenha sintomas sugestivos de COVID-19 deve, antes de mais, ligar para a Linha SNS24 (808 24 24 24). É através desse telefonema que será feita a primeira avaliação e o encaminhamento para o serviço adequado, em função do grau de gravidade das queixas apresentadas: ou fica em isolamento no domicílio e sob vigilância; ou é enviada ao centro de saúde; ou é aconselhada a deslocar-se ao serviço de urgência hospitalar; ou é activado o INEM, para fazer o transporte imediato ao hospital.

Em qualquer dos casos, o doente tem de realizar um teste laboratorial, para confirmar se tem COVID-19 ou se a causa desses sintomas é outra. Daí que haja testes disponíveis no hospital, para quem, pela gravidade da sua situação clínica, tenha de ser aí assistido; e haja também testes disponíveis nos laboratórios privados, fora do hospital, para quem não precise de assistência médica ou seja encaminhado para o centro de saúde. Devo lembrar que, para qualquer outra doença, acontece exactamente a mesma coisa: os doentes que são assistidos nos hospitais fazem aí os exames laboratoriais ou de imagem (radiografias, TAC, ressonâncias magnéticas, ecografias, etc.) de que necessitem e os doentes que vão ao centro de saúde recebem uma prescrição do seu médico de família, para irem depois ao laboratório da sua preferência fazer os exames. Com a COVID-19, passa-se a mesma coisa.

Cada vez mais, temos de garantir o máximo de eficiência na gestão da COVID-19 — e da doença e da saúde, em geral — sob pena de desperdiçarmos recursos que, depois, vão fazer muita falta a outras pessoas.

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